O eu e a circunstância

Nas Meditaciones del Quixote (1914), José Ortega y Gasset desenvolve as sementes de sua metafísica segundo a razão vital, iniciada em Adán en el paraíso (1910). “Eu sou eu e minha circunstância” é sua famosa concepção da realidade radical, fruto da crítica ao idealismo com que começou sua filosofia sem contudo refugiar-se no realismo gnosiológico. A realidade circundante “forma a outra metade da minha pessoa”.
Não só por isso, mas também por isso, eu concluo que a revolta contra a realidade, contra as circunstâncias de sua vida, é uma revolta contra si mesmo.
Meditar sobre as circunstâncias e trabalhar para modificá-las é um modo muito interessante de criar-se a si mesmo a cada momento. Revoltar-se contra elas é algo bem diferente; é enlouquecer-se, é alienar-se, é renunciar a ser o co-criador da sua biografia.
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